AIESEC Londrina

Sacolinhas, bicicletas e cachorros não fazem ninguém melhor

4 Comentários

Tenho percebido recentemente um afã de muita gente que quer fazer algo para fazer o mundo melhor. Tenho amigos que abandonaram as sacolas plásticas. Outros que resgatam cães na rua e dão remédios, casa, comida e roupa lavada. Outros ainda que aderiram ao protocolo de Kyoto: só andam a pé, de ônibus ou de bicicleta.

Antes que me entendam mal eu também faço algumas dessas coisas. E me sinto menos mau (com “u” mesmo) quando faço isso. São coisas que fazem sentido, afinal de contas. Cães de rua realmente sofrem. Há excesso de plástico e de carros pelo mundo.

O que me parece, no entanto, e conversando com mais gente descobri que não sou só eu, é que há uma certa confusão sobre o assunto: como se essas coisas, simplesmente, resolvessem um problema. Como se por aderir a várias (ou normalmente a uma só delas) você se transformasse em alguém melhor.

Em alguns casos, a causa vira mesmo algo mais forte, e quem não adere, não concorda, vira proscrito para os adeptos. Como se toda a bondade do mundo dependesse de você ser “um de nós”, de tomar “o caminho da verdade”. E, se não, você ainda é alguém que não viu a luz. Em suma, uma boa causa vira radicalismo.

Sou adepto da tolerância. E se alguém usa carro porque tem problemas de equilíbrio na bicicleta? Ou se simplesmente não gosta de cachorros. Ou se tem um dia tão corrido que não consegue parar para pensar em comprar sacolinhas verdes, ou seja lá como se chame. Ou se a pessoa simplesmente não estiver com vontade de aderir, quiser seguir outros princípios?

Por mim, há duas coisas importantes. Primeiro, que uma causa sozinha não faz verão. E é preciso saber que qualquer uma dessas coisas é apenas uma verdade parcial sobre o mundo. Isso, se for uma verdade. Isso, se for importante. Temos que parar de achar que descobrimos a roda. E saber que somos todos diferentes, que não podemos exigir que os outros pensem como nós (essa, por assim dizer, poderia ser uma causa por si só: o não-conflito, a tolerância).

Segundo, que ser bom é bem diferente de aderir a qualquer coisa dessas. Consigo imaginar um psicótico das sacolinhas, um nazista na ciclofaixa e alguém que destrata pessoas cuidando ultrabem dos cachorrinhos. A “causa” não garante nada sobre você, meu amigo. É preciso ir além.

Ser bom é outra coisa, bem diferente. É ser humilde, generoso. Ser paciente e tolerante. Ser justo e disciplinado. Ser tranquilo e bem humorado. É ter moderação e saber quando não exigir dos outros que sejam moderados. É ser resoluto mas inquieto, pacífico mas não se omitir.

Nenhum de nós faz tudo isso. Mas se fizéssemos um esforço para olhar dentro de nós seríamos melhores do que procurando uma causa fora.

Dito isso, vou hoje cuidar dos meus cachorros, tirados da rua. Depois de pegar o ônibus pra casa. Mas sabendo que isso, caro leitor, não faz de mim nada especial enquanto eu não aprender a não reclamar da causa alheia…

Rogerio Waldrigues Galindo

Fonte: http://www.gazetadopovo.com.br

4 pensamentos sobre “Sacolinhas, bicicletas e cachorros não fazem ninguém melhor

  1. Curtiii!
    Pra acostumar a galera a entrar no blog, mandem a postagem no grupo do face quando atualizarem!! =)
    Isso vai fazer todos frequentarem mais vezes heheh

  2. Acho que cada um tem que fazer a sua parte. E isso não passa da nossa obrigação. Separar o lixo, ajudar velhinhas a atravessar a rua, economizar energia, ter educação no trânsito… enfim, é apenas nosso papel como cidadãos!
    Se quisermos mudar o mundo acho que temos fazer coisas que realmente nos exigem algum sacrifício, e algo que vá mudar a vida de alguém ou uma realidade.
    Tem que ser algo a longo prazo, e não soluções pontuais, de problemas específicos.
    Mas acho que para alcançarmos isso devemos começar pela mudança de nós mesmos, crescer intimamente, se desenvolver como pessoa. Mais um motivo para acreditar que eu realmente deveria estar na AIESEC =)

  3. Muito bom!!
    O importante é sempre tentar fazer coisas boas e cada vez mais =D
    E concordo completamente quando ele diz que o respeito é uma causa em si!!

  4. Ola pessoal, achei interessante o sentido de que “ninguém salva o mundo sozinho”. E que a causa pela qual você luta, não necessariamente é a causa pelo qual seu vizinho luta, e vice-versa…. isso não necessariamente faz ninguém melhor do que ninguém.
    Estou na China atualmente, pais que é tido como um grande poluidor… mas o que ninguém sabe é que aqui está a maior frota de Motorcicletas eletricas do planeta, o maior número de fabricas de paines de elergia solar do planeta e por aí vai.
    É muito facil só sair julgando os outros, porque anda de carro ao invés de onibus, ou não separa o lixo para reciclagem…. o que ninguém para para pensar é que nós mesmos não aderimos a todas as causas… mesmo porque, nem tem como…. mas pare para pensar… o que você já fez em prol dos deficientes visuais essa semana? Nada?!!!!! Como assim?!!!! E quando você doou para salvar as baleias?!!! E qual foi sua contribuição para ajudar as vítimas das ultimas enxentes?!!!!

    Viu só? Sozinho não dá pra salvar o Mundo.

    Acho que o melhor que cada um faz é escolher a causa que ama e se dedicar a ela… sem ficar exigindo que os outros façam o mesmo.

    Cada um contribui com o que tem, na proporção que quiser, e aos pouquinhos vamos fazendo do mundo um lugar melhor pra se viver.

    Abraço
    Rafha Dalto

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