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Profissionais do país vêm conquistando cada vez mais destaque no exterior

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Tipo exportação. Hugo Barra, da Google, apresenta o Nexus 7: estudos no MIT ajudaram a conquistar uma posição na gigante da internet Foto: jim wilson/the new york times

Tipo exportação. Hugo Barra, da Google, apresenta o Nexus 7: estudos no MIT ajudaram a conquistar uma posição na gigante da internet

Embora o Brasil não esteja entre os países mais competitivos do mundo, seus executivos certamente não estão fazendo um mau papel: muitos têm assumido funções importantes em empresas globais. Os brasileiros são reconhecidos pela facilidade de relacionamento e pelo jogo de cintura, características que especialistas costumam credenciar à diversidade de influências típica da formação nacional e à necessidade de adaptação às instabilidades econômicas que o país enfrentou nas últimas décadas. E algumas das dificuldades mais evocadas, como falta deexperiência internacional e domínio insuficiente de idiomas, começaram a ser superadas pelo maior intercâmbio com universidades de ponta mundo afora e pela ampliação das políticas de expatriação das grandes corporações.

Quando se falava no assunto há dez anos, os exemplos vinham sempre de setores tradicionais da economia, como Alain Belda, 69 anos, que liderou a Alcoa mundial, e Carlos Ghosn, de 58, diretor-executivo do grupo Nissan-Renault. Com o advento das novas tecnologias e das redes sociais, uma nova geração de “brazucas” antenados com as tendências e formados pelas melhores instituições de ensino despontou como protagonistas do mercado global.

Em junho, coube ao mineiro Hugo Barra, 35 anos, egresso do Massachusetts Institute of Technology (MIT), apresentar ao mundo o Nexus 7, novo tablet da Google. Na empresa desde 2008, Barra, à frente da diretoria de produtos móveis, tem desafios como desenvolver o primeiro tradutor simultâneo portátil, capaz de fazer duas pessoas que falam idiomas diferentes se entenderem — um sonho da ficção científica perto de se realizar.

No Facebook, que acaba de alcançar a marca de um bilhão de usuários globais e tem no Brasil seu segundo principal mercado, com 54 milhões de contas, Alexandre Hohagen, 44 anos, formado em Relações Públicas pela Universidade de São Paulo (USP) e pós-graduado em Administração pelo International Institute for Management Development (IMD), na Suíça, é o vice-presidente de vendas para a América Latina — cargo para o qual foi contratado em fevereiro de 2011, depois de montar a filial da Google na América Latina, chegando à vice-presidência para o continente.

— Muitos brasileiros estão preparados para enfrentar o desafio do mercado global. A maior dificuldade talvez seja o nosso grande apego ao país — diz Amintas Neto, 43 anos, diretor de novas tecnologias e plataformas da Microsoft para Oriente Médio e África.

Choque de culturas é armadilha

Sediado em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, seu cargo, que ocupa há dois anos, cobre 79 países. A empresa incentiva a carreira internacional, e Amintas se preparou ao longo de dez anos, incluindo um MBA no Canadá e alguns períodos de intercâmbio nos Estados Unidos e na América Latina, até ter uma oportunidade no exterior. No início, conta, tinha o hábito de comparar as situações que enfrentava com as práticas do Brasil e de usar o país como referência constante nas conversas com outros executivos:

— Com o tempo percebi que isso dava a sensação de excesso de orgulho pelo meu país e nem sempre era bem-visto, então comecei a me policiar para estabelecer referências mais globais.

Há também casos de empreendedores brasileiros cujos negócios se tornam globais, como Michel “Mike” Krieger, 27 anos, fundador do Instagram, rede social de compartilhamento de fotos que fundou há três anos com um colega americano da Universidade de Stanford. Em abril, a empresa foi vendida ao Facebook por US$ 1 bilhão, e Krieger embolsou US$ 100 milhões. Toda a equipe foi incorporada, incluindo os fundadores, que continuam à frente da empresa.

Também pode ocorrer a compra de empresas que já são globais, como ocorreu com a rede de fast food Burger King, adquirida em 2010, por US$ 3,3 bilhões, pela 3G Capital, sediada no Rio. A direção ficou com Bernardo Hees, 42 anos, ex-ALL Logística, que ingressara na 3G como sócio alguns meses antes da compra do Burger King.

Mas o tão citado “jogo de cintura” dos brasileiros não os livra de gafes típicas do choque de culturas. Em março de 2011, durante uma palestra na Universidade de Chicago, Hees elogiou a comida local e a beleza das mulheres, mas o contraponto não caiu bem: ele disse que, ao cursar um MBA na Universidade de Warwick, na Inglaterra, não tinha motivos para se distrair pois a comida era ruim e as mulheres, não muito atraentes — comentário que teve péssima repercussão.

Já Amintas Neto, ao procurar uma escola para a filha assim que chegou a Dubai, percebeu uma súbita mudança de comportamento da secretária da instituição que visitava:

— Ela estava superatenciosa, mas de repente fechou a cara, entregou uns folders e praticamente me despachou.

O amigo que o acompanhava esclareceu: ao sentar-se e cruzar as pernas, Amintas deixou à mostra a sola do sapato, ato considerado ofensivo na cultura local.

— Tornar-se um executivo global é aprender e surpreender-se todos os dias — diz o diretor da fábrica da Embraco no México, Carlos Alberto Xavier.

A fabricante de compressores fundada há 41 anos em Joinville (SC) é hoje uma corporação global, com subsidiárias em três continentes. Aos 54 anos, Xavier está no México desde 2011, depois de passar por China e Eslováquia. Sua maior dificuldade sempre foi lidar com um grau maior de formalidade.

— Os chineses são fechados e não gostam do contato físico. Já os mexicanos são calorosos, mas têm um respeito quase irracional à hierarquia e não contra-argumentam ao receber uma ordem — diz Xavier. — Lidar com essas diferenças culturais é o maior desafio para todo executivo global.

fonte: http://oglobo.globo.com

Um pensamento sobre “Profissionais do país vêm conquistando cada vez mais destaque no exterior

  1. Quero ver alguém da @LD ocupando um cargo desses!! =D

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